
Baobá rememora ares abolicionistas na Praça Conselheiro, de Guaratinguetá, contando histórias jogadas aos escombros sombrios do tempo que tudo esconde. Mas há remédio para isso: a arte do resgate da memória.
A narrativa, que cria e desperta memórias que se arrastam no dna sanguíneo do povo guaratinguetaense, filho das três etnias primordiais que geram todo o povo brasileiro, tem o poderio reintegrador necessário para colocar os pingos nos is.
Com esse poder reintegrador das narrativas, memórias apagadas foram minimamente revificadas ao cotidiano da cidade, com uma roda de conversa realizada pelo Instituto Baobá no dia 25 de abril na Praça Conselheiro, para debater um assunto enterrado há um século no inconsciente coletivo do povo de Guaratinguetá: a demolição da Igreja do Rosário dos Homens Pretos.
Em nome do progresso, da “evolução da cidade”, procurou-se apagar a memória vergonhosa da escravidão em Guaratinguetá, demolindo-se uma igreja do século XVIII: a Rosário dos Pretos, que se encontra na fotografia abaixo:

A Igreja, erigida na década de 30 do século XVIII, de porte similar ao da Matriz de Santo Antônio, pertencia a Irmandade de Nossa Senhora do Rozario dos Pretos da Villa de Guaratinguetá.
O templo católico foi demolido em 1935, onde posteriormente foi ocupado pelo saudoso Bar Pequeno, ainda presente nas memórias daqueles que nasceram por volta da década de 1970. Isso para que houvesse um alargamento de uma rua próxima ao Largo do Rosário – onde era chamado o local até à época da derradeira demolição.
A roda de conversa – que debateu justamente a demolição da Igreja do Rosário dos Pretos e pontualmente a inexistência de qualquer referência memorial a tal monumento histórico demolido – contou com a presença de profissionais estudiosos do tema, que conduziram a discussão, sendo:
- O geógrafo, professor e membro do Baobá, Guilherme Claudino;
- O historiador e museólogo, Thales Vargas Gayean;
- O historiador, professor e membro do Baobá, Custódio Ferreira Filho.
Os profissionais são membros de um grupo de pesquisa, do Instituto Baobá, dedicado ao estudo específico do resgate da memória da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
Durante a discussão fomentada pela roda de conversa, que aconteceu na Praça Conselheiro, a poucos metros do terreno da igreja demolida, que teve inclusive participações de outras pessoas interessadas no tema, pontuou-se:
- O problema da demolição contínua de igrejas históricas levantadas por irmandades de pessoas escravizadas;
- A perda de patrimônio cultural irreparável que isso representa;
- O apagamento simbólico e memorial que esse tipo de demolição gera;
- A destruição material de monumentos religiosos históricos.
Para saber mais como foi a roda de conversa, confira neste vídeo completo:
