Igreja de São Pedro dos Clérigos
Mariana

Igreja de São Pedro dos Clérigos e o rio de sangue

Mariana é cheia de mistérios, histórias incríveis e lendas urbanas que muitos juram de pé junto serem histórias reais. E não são poucos, mas muitos que afirmam que sejam reais. E a lenda da maldição da Igreja de São Pedro dos Clérigos é uma delas.

Quem me contou sobre essa terrível lenda – com um pano de fundo bem real – foi minha avó. E essa é uma das mais aterrorizantes que ela (sempre ela) me contou lá na minha infância e que até hoje me causa muito medo.

E a pesquisa que fiz foi bem aprofundada, pois entrevistei muitas pessoas antigas aqui de Mariana e elas disseram que ouviram falar de tal conto.

Além de minha avó, busquei mais informações com outras pessoas de minha família e de parentes de amigos sobre esta lenda.

E quanto mais pesquisei, mais percebi o quão incrível é essa história que estou relatando aqui para você.

Bem, vamos a estória então…

A obra inacabada da igreja de São Pedro dos Clérigos

Igreja de São Pedro dos Clérigos
Essa é a Igreja de onde os escravos passavam mal e caíam.

A igreja de São Pedro foi construída em um ponto alto e privilegiado em Mariana, onde se consegue ver boa parte da cidade.

Quem determinou a construção do templo foi a irmandade São Pedro dos Clérigos, em 1753.

A partir daí parece que a igreja estava destinada a nunca mais ser terminada.

A sua construção teria sido bastante lenta, com algumas paralisações e retornos que se prolongaram até o século XIX, sem ser finalizada.

As obras pararam definitivamente em 1820 – quase setenta anos depois – sem a que as torres fossem terminadas.

Apenas em 1922 – cento e setenta anos depois do início da construção – a igreja de São Pedro dos Clérigos foi finalmente completada.

Os passos finais se deram com o levantamento das duas torres. Mas, devido a diferença de tempo do início para o término da construção, as mesmas acabaram possuindo um estilo diferente do restante do templo.

E essas características únicas não são encontradas apenas na parte exterior. Por dentro, nem a decoração e nem o altar-mor foram finalizados, o que traz um charme bem particular para essa igreja, que é uma basílica.

Para compensar essas peculiaridades, foi colocada uma grande e sofisticada estátua de São Pedro para ornar o local sagrado.

Uma lenda sinistra surge com a demora

Igreja de São Pedro dos Clérigos - caminho
Era esse o caminho que os escravos chegavam de madrugada para levantar a igreja.

Obviamente, o motivo de tanta demora para se construir apenas uma igreja acabou sendo questionado sutilmente pela população.

Principalmente porque, mesmo como toda a demora, o templo não chegou a ser terminado.

Hoje, esse aspecto é considerado um o diferencial de beleza e charme da basílica. Mas até que as torres fossem levantadas – e ainda hoje – questiona-se a causa dessa demora.

E, como sempre, são apontados motivos sinistros.

“Porque tenta demora, afinal? ”.

O que realmente aconteceu não se sabe. Mas há uma grande lenda/mito sobre isto.

A lenda de Mariana Ensanguentada

Muitos dos marianenses, inclusive a minha avó e familiares de amigos, contam uma estória (?) assombrosa.

Muitos dizem que escravos morreram durante a construção da igreja e que suas mortes aconteceram no local onde seriam (e hoje são) as torres.

Segundo a minha avó, quando os escravos subiam no ponto mais alto da catedral, muitos gritavam e caiam. Ou ainda, alguns se jogavam mesmo para cometer suicídio para escaparem do jugo de seus senhores.

Outros escravos não conseguiriam subir até as partes mais altas da construção. Chegavam até a metade apenas e voltavam reclamando de tontura e enjoo.

Infelizmente, naquela época, ninguém se importava com o que os escravos sentiam e os forçavam a subirem no alto da construção para finalizarem o trabalho.

Até que um escravo conseguiu, finalmente, ir até o fim, sem se desequilibrar ou se jogar do alto (muitos juram que ele era especial e uma pessoa muito espiritualizada).

Mas o resultado também não foi muito bom. Quando voltou, ele tinha uma expressão assombrosa em seu rosto. Seu relato foi de que tinha visto Mariana inteiramente coberta por um rio vermelho.

Ele teria dito que esse rio era de sangue!

Muitos acreditaram e ficaram horrorizados, enquanto outros tiravam sarro do escravo. Mas como a situação já era delicada por conta dos antecedentes com a construção, ela foi deixada de lado por algum tempo.

Depois, para dar continuidade, levaram outros homens que não sabiam do fato ocorrido para que não se impressionassem e nem ficassem com medo.

Mas isso não resolveu e as mortes teriam continuado na Igreja de São Pedro dos Clérigos

Mas, infelizmente, as mortes no alto da torre continuaram. E assim foi sucessivamente até a interrupção total da obra 1820.

Não se sabe ao certo se isso ocorreu realmente, mas é um relato vivo entre moradores mais antigos, que contam sempre essa estória para seus filhos e netos.

Muitos juram que, mesmo com a finalização da torre em 1920, havia algo de maligno ali naquele local, uma espécie de maldição que os antigos escravos e a população sentiram, experimentaram, mas não entendiam o motivo.

E isso, infelizmente, teria causado a morte de muitas pessoas.

A dúvida ficará por um bom tempo, ou quem sabe para sempre. Mas, acima de tudo, fica o respeito pela estória dessa tão bela e sombria igreja e pela estória dos escravos que a construíram.

E essa estória vinculada a Basílica de São Pedro dos Clérigos é mais um dos causos que cercam as nossas queridas cidades de Minas, que tanto amamos e que nos surpreendem – ao ponto de não nos deixarem dormir as vezes.

A propósito, quando visitar Mariana, não deixe de subir no ponto mais alto da torre da Igreja de São Pedro dos Clérigos. Teria sido ali que o escravo viu o rio de sangue.

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E se quiser ouvir o áudio do texto:

Gabriela Pinheiro

Professora que se encantou pelo caminho das palavras e das imagens e usa os seus dons para cultivar o turismo em nossas maravilhosas cidades históricas.

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