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Histórias de Assombração: a Casa Amaldiçoada do Bairro Antônio Dias

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Quando se fala de Ouro Preto, o assunto “histórias de terror” se torna redundante.

Mas nunca vamos nos cansar de contar aqui histórias nunca antes lidas de assombrações que deixaram nossos avós e pais impressionados para sempre.

Pois bem, hoje falarei de uma história que é assustadora e inacreditável devido às características únicas que ela traz.

A começar por um fato sinistro:

Aconteceu com meu pai

Meu pai nasceu em Furquim, distrito de Mariana, mas teve que mudar para Ouro Preto aos 10 anos e começar a trabalhar, pois o seu pai, meu avô, havia falecido e deixado toda a família em uma situação financeiramente ruim.

Então, a minha avó, junto com todos seus filhos, mudou-se para um casarão histórico na rua Chico Rei, no bairro Antônio Dias.

Lá, meu pai, que era o mais velho, começou a trabalhar e teve de largar os estudos, assim como a minha avó. Já os meus tios continuaram a estudar.

Isso tudo por volta dos anos 70.

Era uma casa muito misteriosa

A casa para onde minha família mudou guardava muitos mistérios e histórias de antigos moradores que eram europeus e possuíam escravos.

E essas histórias trouxeram curiosidade e ambição para dentro do lar.

A história sinistra começa quando um de meus tios descobriu que havia um possível tesouro guardado nos fundos do quintal do casarão (era um grande terreno).

Além disso, tinha ouvido que várias pessoas, o que incluía ex-moradores, tentaram cavar o quintal até encontrar o tesouro.

Porém, todos que tentaram tiveram mortes assustadoras e nunca conseguiram concretizar o desejo.

Mas meu tio era insistente

Então, meu tio reuniu alguns amigos e começaram a cavar.

Nesse momento, segundo o meu pai, eles até chegaram perto, mas coisas realmente estranhas começaram a acontecer.

Os moradores da casa começaram a ouvir barulhos horripilantes de panelas, pratos, copos e talheres caindo no chão, além de correntes sendo arrastadas pela casa a fora.

Mas quando todos levantavam para ver o que era – já que ninguém tinha coragem de ir sozinho – as panelas, pratos e talheres estavam no mesmo lugar e não havia nada no chão.

Obviamente, todos começaram a ter medo de continuar na casa e pediram para o meu tio parar com a sua ideia fixa de achar o tesouro.

Mas ele e seus amigos não desistiram.

Espíritos começaram a se comunicar

Então, minha tia começou a ver um padre na cozinha toda noite e ele tentava se comunicar com ela. Mas ela corria para o quarto e não conseguia mais dormir tranquila.

E, por coincidência – ou não! – , meu pai começou a ter um sonho com esse mesmo padre – já a descrição de minha tia batia com a que ele sonhava – e teve um outro sonho muito sinistro.

O sonho com o padre

Com o padre, meu pai sonhava que ele pedia para que meu tio não continuasse a cavar o local do tesouro, pois haviam vários espíritos de escravos que protegiam o local e que amaldiçoariam a todos que tentassem pegar o ouro.

O padre também dizia ao meu pai para que a família inteira saísse da casa o quanto antes, pois ela iria desabar.

Os dois cães

No outro sonho, meu pai via dois cachorros. Um gigante e totalmente negro que estava preso e latia muito para um cachorro pequeno e totalmente branco que passava perto.

O curioso era que o cachorro branco olhava pro cachorro negro com uma tranquilidade, exatamente por saber que ele estava preso e nunca conseguiria o atingir.

E assim acabava o sonho.

Meu pai sonhou repetidas vezes com isso e pedia todos os dias para o meu tio desistir de cavar o local.

Meu tio, enfim, desistiu por medo de tudo que estava acontecendo na casa.

E nesse momento os barulhos das panelas e das correntes continuavam, além de agora ouvirem vozes, chibatadas e gemidos de dor também vindos da cozinha e do quintal do casarão.

Meu tio começou a rezar e pediu para os amigos desistirem, mas eles continuaram.

O lado mais trágico da história

Então, o pior aconteceu: todos os amigos do meu tio morreram de formas absolutamente trágicas, envolvendo acidentes.

O meu tio foi o único que não morreu, mas teve uma tuberculose repentina e ficou hospitalizado entre a vida e a morte.

A minha avó então decidiu sair da casa, mas como ela e meu pai eram os únicos que trabalhavam e não tinham muito dinheiro, ela só conseguiu tirar um por um dos filhos, aos poucos.

Meu pai ficou por último.

Então, meu pai teve mais um sonho com o padre e dessa vez o mesmo disse para que ele saísse o quanto antes, pois a casa ia desabar em três dias.

Depois desse aviso assustador e de todos os eventos sinistros, meu pai começou a trabalhar dobrado e conseguiu alugar um quartinho para ele perto de onde minha avó estava morando.

E assim que meu pai saiu do casarão, três dias depois, ele desabou. Exatamente no dia que o padre disse ao meu pai que aconteceria.

Depois de tudo isso, com bastante orações de todos, meu tio se recuperou totalmente da tuberculose e eles conseguiram um lugar melhor para morarem juntos novamente.

A percepção dos meus parentes em relação a este fato

Minha avó, assim como meu pai e seus irmãos, acreditam que meu tio apenas se recuperou porque foi o único que se arrependeu a tempo.

Essa foi uma postura bem diferente dos amigos de meu tio, que debocharam da lenda e continuaram em busca do ouro.

Por isso, teriam morrido tragicamente. Todos eles.

Meu tio foi castigado, mas não com a morte. Com a doença, para que aprendesse a respeitar o outro lado da vida. E assim toda minha família acredita.

E meu pai, vez ou outra, ainda sonha com os cachorros, mas dessa vez, o cachorro totalmente negro não late mais. Está quieto dormindo e o branco está velando o seu sono do lado de fora da grade.

Eu, particularmente, sempre acreditei em energias, espíritos e no outro lado da vida, o plano espiritual. E crescer ouvindo essas histórias sempre me fez tirar excelentes lições.

A maior dela com certeza é: respeite sempre o desconhecido e dê valor a essas histórias. Afinal, você nunca saberá o que poderá te acontecer.

Tenha respeito por todos sempre. E oração nunca é demais.

Fica a dica a todos.

Gabriela Pinheiro

Professora que se encantou pelo caminho das palavras e das imagens e usa os seus dons para cultivar o turismo em nossas maravilhosas cidades históricas.

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1 comentário

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