congado ouro preto
Ouro Preto

Chico Rei de Ouro Preto: a lenda do congado em Minas Gerais

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O congado em Ouro Preto é uma grande festa em homenagem a Chico Rei

Fotógrafo: Macelo Cândido

Ainda em clima de festejo por conta do Reinado de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia, ocorrido na última semana em Ouro Preto, hoje vamos contar um pouco de uma das maiores figuras do congado em Minas: Chico Rei de Ouro Preto.

Seu nome nas festividades das comunidades negras é corrente. Ele inspira a memória de milhares de pessoas que organizam e participam dos cortejos. Passada de geração em geração, a história dos antepassados é, ao lado da resistência, o principal ingrediente em celebrações. Afinal, mesmo com a abolição, isso não significou a completa inclusão igualitária dos negros na sociedade.

Quem foi Chico Rei de Ouro Preto

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A criançada também se diverte no congado.

Fotógrafo: Macelo Cândido

São figuras como Zumbi dos Palmares, Dandara, Luiz Gama, Antonieta de Barros e Conceição Evaristo que continuam motivando a cultura negra a se fortificar cada vez mais. Mas o caso de “Francisco Natividade”, “Francisco Francisco de Lisboa Anunciação” ou ainda “Francisco Lázaro”, alguns dos possíveis nomes de batismo do escravo Chico Rei, tem especial destaque.

O desaparecimento de inúmeros documentos do período colonial em Minas Gerais permite que os relatos de sua existência se misturem entre mito e realidade. Sua história foi passada oralmente e hoje contamos com algumas obras que relatam sua jornada.  Colocamos algumas referências ao final deste texto para que os interessados possam pesquisar mais sobre o assunto.

Chico Rei e o Congado

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Certamente o congado é uma demonstração de fé, religiosidade e cultura

Fotógrafo: Macelo Cândido

Os congadeiros celebram a imagem de Chico Rei de Ouro Preto por meio da coroação dos “reis de nação”. É um momento no qual Chico Rei reassume seu lugar como Rei do Congo.

Esse lugar é reservado a ele por conta de sua história na África e na América, como membro da realeza e como escravo lendário, respectivamente.

Do outro lado do pacífico, Chico Rei era um líder tribal congolês que, uma vez aprisionado pelos portugueses, foi obrigado a vir em 1740 para o Brasil trabalhar na extração de ouro em Vila Rica, a antiga capital do império, atual Ouro Preto.

No trajeto dentro do navio, “Madalena”, sua esposa e filha foram jogadas ao mar durante uma tempestade deixando-o apenas um filho ao seu lado.

Chegando à colônia, com ajuda de outros escravos e de sua natural astúcia, conseguiu comprar não apenas a sua alforria como a de outros escravos. Uma vez livre, adquiriu importância na cidade, filiando-se às irmandades negras e logo conseguiu acumular mais dinheiro. Foi então possível comprar a mina de ouro “Encardideira”, até então posse de seu antigo senhor.

A Mina de Chico Rei

A mina é hoje conhecida pelo nome de Mina Chico Rei e a maioria dos trajetos do congado em Ouro Preto costuma passar por ela. Sua permanência é muito simbólica para os congadeiros de Minas Gerais. Ela é um espaço dedicado ao mito que motiva os afrodescendentes e um repositório da história da colônia a partir do olhar dos oprimidos.

Congadeiros de todo o Brasil se entusiasmam com a história do herói. O mito continua atualizando as manifestações culturais de hoje e, por isso, o empenho da comunidade é admirável. Crianças, jovens, adultos e idosos participam das festas e fazem questão de organizá-la, cada vez, com mais dedicação.

Em 2018, durante toda a segunda semana de janeiro, ocorreram atividades voltadas para os assuntos ao entorno da tradição do congado. Houve também o lançamento de um documentário inédito de dois ex alunos da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) na programação.

É um evento maravilhoso em suas cores, danças e história. Mas, mais do que isso, é também uma forma de viver que acolhe a todos que queiram conhecê-la e vivenciá-la melhor.

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Livros sobre Chico Rei:

“Chico Rei: romance do ciclo da escravidão em Minas Gerais”, de Agripa Vasconcelos (1966).

“A história de Chico Rei: um rei africano no Brasil”, de Béatrice Tanaka (2008)

“Cinderela e Chico Rei”, de Cristina Agostinho e Ronaldo Simões (2015).

Filme:

“Chico Rei”, de Walter Lima Jr. (1985).

http://www.ufop.br/noticias/extensao-e-cultura/tv-ufop-lanca-documentario-congadeiros-na-terca-9

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1 comentário

  1. […] porque seu antigo dono fora o famoso Chico Rei. Esse homem é uma figura lendária que teria sido retirado do Congo no século XVIII e vindo para […]

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